Como evitar um câncer de intestino

Confira os hábitos de vida que preservam a saúde do órgão. Crédito: Estadão

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A prevalência das doenças inflamatórias intestinais (DII) teve um aumento de mais de cinco vezes entre 2012 e 2025. Os casos passaram de 30 para 158 por 100 mil habitantes no período. O achado é de um novo estudo apresentado nesta sexta-feira, 25, no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia.

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De acordo com Abel Botelho Quaresma, membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBC) e um dos líderes da pesquisa, as DIIs são caracterizadas por uma reação autoimune.

“O paciente produz anticorpos que, ao invés de defender o organismo, atacam o próprio intestino”, explica ele, que também é professor de medicina da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) Joaçaba. “Elas se caracterizam, basicamente, por diarreia, sangramento nas fezes e perda de peso.”
Aumento das doenças inflamatórias intestinais (DIIs) pode estar ligado ao consumo de alimentos industrializados Foto: eddows/Adobe Stock
As DIIs mais comuns são a retocolite ulcerativa, que atinge o intestino grosso, e a doença de Crohn, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus.
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O que causa as DIIs?
Segundo Quaresma, a causa é multifatorial. Pode ser influenciada por fatores genéticos, imunológicos, ambientais (como poluição e qualidade do ar) e alimentares, sendo este último ponto uma das prováveis causas do aumento da prevalência, segundo o especialista.
“As DIIs são doenças de países ricos e industrializados, acontecem mais na Europa e na América do Norte. Com o passar do tempo, os hábitos (no Brasil e na América Latina) foram se tornando cada vez mais ocidentalizados. Comemos cada vez mais comida industrializada, com mais conservantes e menos comidas naturais”, detalha Quaresma.
“A nossa vida e a nossa alimentação mudaram nos últimos anos e parece que esse é o grande gatilho para o surgimento das DIIs, tanto que locais que comem mais comidas verdadeiras, como África e Ásia, têm menos casos”, adiciona.
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Outra possível causa para o crescimento da prevalência é o aumento do acesso ao diagnóstico. Segundo a pesquisa, o número de novos casos detectados por ano passou de 9,35 para 12,34 por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025.
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Ainda há, no entanto, grande desigualdade regional no Brasil. As regiões Sul e Sudeste concentram três quartos dos casos do País. Os especialistas acreditam que isso acontece, entre outros motivos, pelo acesso mais amplo a consultas e exames, como a colonoscopia, nas regiões Sul e Sudeste.
Diagnóstico é feito por meio de colonoscopia
A investigação das DIIs pode ser iniciada pelo exame de sangue oculto nas fezes, mas o diagnóstico definitivo é feito exclusivamente pela colonoscopia, segundo Quaresma.
Como as DIIs atingem predominantemente pacientes mais jovens (a doença de Crohn é mais comum entre 25 e 35 anos, por exemplo), a colonoscopia é indicada mediante a presença de sintomas, e não como rastreio populacional de rotina nessa faixa etária.
Tendência é que casos sigam em alta
O estudo também estima que o número de casos deve continuar aumentando nos próximos anos. A pesquisa projeta que a prevalência poderá chegar a 264 casos por 100 mil habitantes em 2035, crescimento adicional de 67% em relação a 2025. Isso significa que cerca de 1 pessoa será afetada a cada 480 habitantes.
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O registro de novos casos também deve aumentar. Em 2035, poderá alcançar 22,7 novos casos por 100 mil habitantes, patamar comparável ao observado atualmente em algumas regiões da Europa.
“Enquanto em 2014 eram consideradas doenças raras, em 2035 vai ser um problema de saúde coletivo”, destaca Quaresma.
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A situação, segundo o autor do estudo, é um alerta para o sistema de saúde, que sofreria com um forte ‘baque financeiro’. Medicamentos utilizados no tratamento da doença de Crohn, por exemplo, possuem valores elevados, variando entre R$ 10 mil e R$ 30 mil por dose, conforme Quaresma.
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As DIIs são crônicas. A grande maioria dos pacientes necessita de acompanhamento medicamentoso pelo resto da vida, mas é possível ter uma boa qualidade de vida.
Quaresma faz uma comparação com o tratamento da pressão alta, outra doença crônica sem cura: o paciente precisa manter a medicação continuamente, mas, ao fazer o uso correto, consegue levar uma vida normal.
A pesquisa
O estudo utilizou registros oficiais do DataSUS, base de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), de todos os diagnósticos confirmados de retocolite ulcerativa e doença de Crohn cadastrados no sistema.
E, por cinco anos, entre 2020 e 2025, acompanhou a evolução do total de casos. Vale destacar que o estudo se soma a uma pesquisa anterior com dados de 2012 a 2020.
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A pesquisa foi liderada por Quaresma e Paulo Kotze, também membro da SBC e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em parceria com pesquisadores da University of Calgary, do Canadá, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de outras instituições.

