Matheus Leitão

Como a coluna antecipou, Lula falou na ONU de eleição, interferência externa, meio ambiente, segurança pública e soberania nacional.

Matheus Leitão
22/09/2026 12:43
Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta terça-feira, a estratégia antecipada pela coluna para seu discurso na Assembleia Geral da ONU: falou ao mundo, mas também diretamente ao eleitor brasileiro.
Na véspera, a coluna revelou que Lula levaria à tribuna referências à eleição presidencial, a possíveis interferências externas no processo eleitoral brasileiro, ao meio ambiente e à segurança pública — assunto que ganhou peso depois que Donald Trump acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho. Todos esses temas estiveram no discurso.
Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar as organizações criminosas e destacou ações de seu governo contra as facções, a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Rejeitou, porém, qualquer intervenção estrangeira na segurança do país. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, declarou.
Sem citar os Estados Unidos, o presidente tratou de possíveis interferências externas, defendeu a soberania nacional e afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros. A referência aos porta-aviões também foi um recado indireto ao governo Trump e confirmou outro ponto antecipado pela coluna: Lula usaria a tribuna da ONU para reagir às pressões externas e, ao mesmo tempo, falar ao eleitorado brasileiro.
Na área ambiental, defendeu o combate ao negacionismo, apresentou o Brasil como referência em energia verde e destacou a redução do desmatamento na Amazônia. Também fez uma defesa firme do multilateralismo, criticou o enfraquecimento da Organização Mundial da Saúde e lembrou as mortes provocadas pela Covid-19 e o avanço das campanhas contra as vacinas.
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Lula foi aplaudido ao mencionar o reconhecimento, pela Assembleia Geral da ONU, do tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Recebeu novos aplausos ao afirmar, num recado às grandes potências: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Na parte final, tratou de algoritmos, inteligência artificial e bets, além de defender a democracia, a solidariedade e a redução das desigualdades. “É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte”, afirmou.
Foi um discurso forte, com tom de estadista e uma defesa clara da soberania brasileira. Mas também teve conteúdo eleitoral, como a coluna havia antecipado. Lula citou diretamente a eleição de 4 de outubro, contrapôs democracia e negacionismo, apresentou resultados de seu governo e falou de temas voltados ao público interno. Usou a principal tribuna diplomática do mundo para projetar o Brasil no exterior e disputar votos dentro do país.

