Bruno Soller, da Real Time Big Data, analisa cenário e lamenta a ausência da participação de Lula e Flávio em debates na TV

25 set 2026 - 04h58

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- Por: Vanessa Ortiz

Pesquisa Real Time Big Data: Lula tem 41% e Flávio Bolsonaro, 37%, no 1º turno:

O crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas recentes pesquisas, como a Real Time Big Data desta quinta-feira, 24, vem também do movimento de voto útil, que é quando o eleitor vota no candidato que tem mais chances de vencer para evitar a vitória de seu oponente, conforme Bruno Soller, cientista político e sócio do instituto. O especialista aponta que, no entanto, essa não é uma exclusividade do bolsonarista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode até ser mais beneficiado do que seu concorrente direto.

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Os dois são os mais cotados para assumir a presidência no próximo ano. O filho de Jair Bolsonaro (PL), está com 37% das intenções de voto, enquanto o petista aparece com 41%. Em 1º de setembro, o instituto analisou que Flávio estava com 30%, e Lula com 38%.

Diante desse cenário, aqueles que se identificam mais com Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos — políticos que ficaram como terceira via em algum momento das pesquisas — podem apertar o confirma para quem?

Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

Foto: Allison Sales/NurPhoto via Getty Images Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images

Soller aponta que, os eleitores que mantêm o político do Avante batendo os 6% na pesquisa são de classe mais baixa e estão nas periferias das grandes cidades, talvez tenha mais chance de votar em Lula do que em Flávio. Já os que preferem Caiado e Zema podem optar pelo candidato do PL.

“Os dois podem receber voto útil nessa reta final”, analisa ao afirmar que a presença dos dois principais candidatos no debate da TV Globo, marcado para o dia 30, pode ainda mexer com o resultado. “Porque você tem uma parcela de eleitor nulo e branco, indeciso, que pode ser impactado por pelo debate de alguma maneira. Acho que a gente tem que ter esse cuidado”, diz, lamentando que nem o petista e nem o bolsonarista debateram ainda na televisão.

Para Soller, do ponto de vista estratégico e marketeiro, a falta dos dois em debates ao vivo funcionou, justamente por não quererem, na sua opinião, modificar muito a visão do eleitorado. “No momento que eles estão ali não permitem que as pessoas entendam o que eles estão pensando, o que eles estão propondo, é mais fácil você manter o status quo”, declara.

No entanto, do ponto de vista da política e da cidadania, é uma “catástrofe”, pois, segundo o cientista político, “não tem cabimento” alguém querer ser presidente da República, mas sem debater seus pares a respeito do País.

“Eu espero e acho que o povo brasileiro também deve esperar que quem queira presidir e representar uma nação tenha pelo menos a hombridade de ir para um debate e discutir o que está se pensando do futuro do Brasil”, afirma.

Bruno Soller, cientista político e sócio do Real Time Big Data

Foto: Vanessa Ortiz/Terra

Crescimento de Flávio também pode ser atribuído à crise no STF

Na análise de Soller, Flávio acaba abocanhando o chamado voto útil, numa tentativa da população de tirar quem está no poder diante desses escândalos envolvendo o STF após a divulgação de mensagens entre o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para o ministro Alexandre de Moraes, e também ao bate-boca entre os ministros da Corte no julgamento do caso. “Esse crescimento que a gente tem visto nas últimas pesquisas em relação ao Flávio, tem muito a ver com a crise do Supremo”, declara.

“Essa crise do STF gigantesca que acaba atingindo em cheio o status quo. Não é nem o governo Lula, é o poder dominante, é quem está na linha de frente. Quando esse eleitor que estava buscando alternativas olha, ele não quer a continuidade do governo Lula e só enxerga o Flávio Bolsonaro como opção”, explica.

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem à frente das pesquisas de intenção de votos
Foto: PETRA MAFALDA/MAFALDA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO e ISABELA DA SILVA/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Segundo Soller, a ascensão de Flávio também se mescla ao sentimento de antipetismo e antilulismo que a população carrega. Embora seja uma eleição de incertezas, na sua visão, o cientista político afirma que a eleição estaria acabada para Lula se tivesse um nome para concorrer que não fosse o de um dos Bolsonaros, mas apoiado pelo bolsonarismo.
“Eu não tenho dúvida nenhuma disso. O que mantém ainda o Lula no jogo, é uma rejeição forte ao bolsonarismo, que isso faz com que num segundo turno tenha um empate entre os dois e vire essa grande guerra de rejeições”, declara.
O filho 01 do ex-presidente recebe votos de quem gosta do pai e, portanto, queriam votar nele, mas devido à condenação por tentativa de golpe de Estado e inelegibilidade, não conseguem. Isso se soma aos que não querem mais o governo Lula e encontram nele uma alternativa.
“Se a gente tivesse um candidato que fosse mais fácil desse voto vir e daí eu te dou um exemplo claríssimo: se fosse o Tarcísio de Freitas, o candidato à presidência da República, eu acho que o Lula teria uma dificuldade muito grande e com o risco inclusive dessa eleição terminar em primeiro turno”, finaliza.
Fonte: Portal Terra
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