Matheus Leitão

Saúde pública é apontada como principal problema por 27% dos brasileiros e 44% dos que ganham até 1 salário mínimo, mostra BTG/Nexus

Matheus Leitão
22/09/2026 06:00
Rafaela Felicciano/Metrópoles
A nova rodada (15ª) da pesquisa BTG/Nexus revela que a saúde pública — falta de médicos, medicamentos e filas de atendimento — é apontada por 27% dos brasileiros como o principal problema do país na atualidade. A pauta mobiliza especialmente os estratos mais vulneráveis da população, que dependem diretamente do Sistema Único de Saúde (SUS) no dia a dia, apresentando forte diferença por renda, gênero e idade. Esse recorte da pesquisa foi enviado com exclusividade para a coluna.
A urgência da saúde atinge seu ápice entre as famílias com renda de até 1 salário mínimo, das quais 44% apontam o tema como o principal problema do país. Essa preocupação também é maior entre as pessoas com ensino fundamental (37%), os beneficiários do Bolsa Família (38%), os desocupados (35%) e a parcela inativa do mercado de trabalho — não pertencente à População Economicamente Ativa (PEA) —, com 35%.
Na faixa de renda de 1 a 2 salários mínimos, o índice permanece elevado, em 35%. Em contrapartida, entre os que ganham mais de 5 salários mínimos e aqueles que têm ensino superior, a preocupação com a saúde pública cai para 15% e 16%, respectivamente.
As mulheres cobram melhorias na saúde com intensidade quase duas vezes maior que os homens: 35% contra 19%. O tema também ganha força à medida que a idade avança. É prioridade para 34% dos idosos com mais de 60 anos e para 32% dos adultos de 41 a 59 anos, mas o índice recua para 11% entre os jovens de 16 a 24 anos.
No recorte religioso, os evangélicos lideram a preocupação com a área (33%), seguidos pelos católicos (27%). Por localização dos municípios, a cobrança se destaca nas regiões metropolitanas (31%), seguidas pelas capitais (28%) e pelo interior (26%).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
“A saúde pública é a grande dor social da população que está na base da pirâmide socioeconômica”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. “Por serem quem mais utiliza e necessita da rede pública no cotidiano, as mulheres, os idosos e as famílias de menor renda sentem na pele a falta de médicos e a demora no atendimento. É uma pauta com apelo popular direto e com enorme potencial de influenciar a avaliação do governo nesses eleitorados”, conclui.
A Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados entrevistou, por telefone, 2.006 pessoas entre os dias 18 e 20 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
